As causas são
principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam
longe do litoral. "Estudos da década de 90 do século XX referem que o
rio Douro, principal fonte de alimentação aluvionar da costa até ao
canhão submarino da Nazaré, devido às barragens e à extracção de areia,
diminuiu-a em cerca de 60%", diz.
Em situação normal, o Douro
alimentaria a costa com 1,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos por
ano (m3/ano), aos quais se juntariam 200 mil transportados pela deriva
litoral entre Leixões e a foz do Douro. Com as barragens, reduziu a sua
capacidade aluvionar para apenas 200 mil m3/ano. Outros estudos indicam
uma redução dos volumes sedimentares transportados por via fluvial em
mais de 85% ao longo do século XX, devido aos aproveitamentos
hidroeléctricos e hidro-agrícolas. Quando as comportas de fundo das
barragens são abertas devido a cheias, o volume de areias na foz
aumenta significativamente, o que evidencia o efeito de retenção.
Com
a retenção no Douro, que será agravado com a construção de mais seis
grandes barragens na sua bacia hidrográfica, e a extracção de areias,
os "poucos" sedimentos em deriva resultam essencialmente da erosão da
costa". A extracção nos rios e na costa tem sido outro factor. Em S.
Jacinto, Aveiro, eram retirados dois milhões de m3/ano. Na foz do
Mondego, Figueira da Foz, era extraído cerca um milhão de m3/ano. Com o
caudal aluvionar dos rios diminuído, os esporões agravam o problema. Só
entre a foz do Douro e a praia de Mira, numa distância de 75 km, há 25
esporões, além dos molhes nas fozes do Douro e do Vouga, "a interceptar
os poucos sedimentos em deriva".
Para travar a erosão a sul da
Vagueira, foram construídos entre esta praia e a de Mira dois esporões
- o do Areão (2003) e o do Poço da Cruz (2004).
Desde então,
José Nunes André monitoriza a linha de costa na zona, cujo recuo era,
até então, inferior a dois metros por ano. A sul, quantificou erosão
superior a sete metros por ano em média. No esporão do Areão, a erosão
aumentou para 13,90 metros em oito meses (29 de Abril a 31 de Dezembro
de 2008). O cordão dunar frontal (último obstáculo ao avanço do mar) a
sul foi erodido após a sua construção. São "cada vez com mais
frequentes os galgamentos oceânicos, que se têm prolongado mais para
sul e a mata adjacente já está ligada à praia" e o aumento da erosão a
sul faz-se sentir até à praia de Mira.
A erosão da base das
arribas é outro problema. As situadas entre o norte de S. Pedro de Moel
(Praia Velha) e a Praia da Légua (norte da Nazaré) estão em risco de
derrocada. O INAG já assinalou parte como zonas de perigo e projecta
consolidá-las.
A construção, nos anos 60, dos molhes da Figueira
da Foz acelerou a erosão das praias a sul e das arribas. O
prolongamento, em curso, do molhe norte em 400 metros "voltará a dar
origem à acreção (aumento) do areal a norte (Figueira da Foz - Buarcos)
e ao aumento da erosão a sul. A médio prazo, irá reflectir-se nas
arribas S. Pedro de Moel - Nazaré". Intervenções "em terra" também
respondem pela redução da estabilidade das arribas, avisa, apontando o
dedo à construção dos parques de estacionamento sobre elas, a norte do
farol de S. Pedro de Moel, "impermeabilizando-as e originando
escoamentos pluviais concentrados".
Fonte: Jornal de Notícias