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Câmaras mais dependentes do imobiliário na Grande Lisboa

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9 Nov 09 

As câmaras da Grande Lisboa dependem mais dos impostos directos e dos ligados ao imobiliário, liderados pelo concelho de Cascais. Esta é uma das conclusões de um estudo sobre a execução orçamental dos 51 municípios da região de Lisboa e Vale do Tejo. O estudo Câmaras da Região de Lisboa e Vale do Tejo-Análise Financeira da Execução Orçamental 2006/2007, realizado no âmbito da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, foi coordenado por Carlos Santos Sousa e Carla Gonçalves. No documento admite-se que uma avaliação de dois anos é "insuficiente para se projectar uma tendência de evolução", mas sublinha-se que o poder local tem sofrido "importantes mudanças", com um significativo aumento das verbas movimentadas, especialmente fruto das suas novas atribuições e competências.


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Tejo: Quercus lamenta transvase aprovado em Espanha

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6 Nov 09 

A associação ambientalista Quercus lamentou hoje que o Governo espanhol tenha aprovado mais um transvase do rio Tejo, alegando que a água que chega a Portugal é cada vez de menor qualidade e quantidade.


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O mito da população PDF Imprimir e-mail
16-Nov-2009

George Monbiot

As pessoas que afirmam que o crescimento populacional é o grande problema ambiental estão a transferir a culpa dos ricos para os pobres.

Não é uma coincidência que a maioria dos que estão obcecados com o crescimento populacional são homens brancos ricos e em idade pós-reprodutiva: é o único problema ambiental pelo qual não podem ser culpados. O brilhante cientista James Lovelock, por exemplo, afirmou há um mês que “aqueles que falham em ver que o crescimento populacional e as alterações climáticas são duas faces da mesma moeda são ignorantes ou estão a esconder-se da verdade. Estes dois grandes problemas ambientais são inseparáveis e discutir um ignorando o outro é irracional.”1 Mas é Lovelock que está a ser ignorante e irracional.

Um artigo publicado ontem na revista científica Environment and Urbanization mostra que os locais onde a população tem crescido mais são aqueles onde o dióxido de carbono tem crescido mais lentamente, e vice-versa. Entre 1980 e 2005, por exemplo. A África Sub-Sahariana produziu 18.5% do crescimento populacional mundial e apenas 2.4% do crescimento em CO2. A América do Norte deu 4% das pessoas a mais mas 14% das emissões a mais. Sessenta e três por cento do crescimento populacional ocorreu em locais com emissões muito baixas2.

Mesmo isto não captura tudo. O artigo aponta que cerca de um sexto da população mundial é tão pobre que não produz um nível significante de emissões. Este é também o grupo cuja taxa de crescimento populacional é provavelmente maior. As famílias na Índia ganhando menos de 3.000 rupias usam um quinto da electricidade per capita e um terço do combustível para transportes que as famílias ganhando 30.000 rupias ou mais. Os sem-abrigo quase não consomem nada. Aqueles que vivem processando resíduos (uma grande parte da classe baixa urbana) frequentemente poupam mais gases com efeito de estufa que o que produzem.

Muitas das emissões pelas quais os países mais pobres são responsabilizados deveriam pertencer a nós, para sermos justos. A queima de gases por exportadoras de petróleo na Nigéria, por exemplo, produziu mais gases com efeito de estufa que todas as outras fontes da África sub-Sahariana juntas3. Mesmo a desflorestação nos países pobres é conduzida primariamente por operações comerciais que dão madeira, carne e rações para animais para consumidores ricos. Os pobres rurais são bem mais inofensivos4.

O autor do artigo, David Satterthwaite, do International Institute for Environment and Development, aponta que a velha fórmula ensinada aos estudantes de desenvolvimento – que o impacto total equivale a população vezes afluência vezes tecnologia (I=PAT) – é errada. O impacto total deveria ser medido como I=CAT: consumidores vezes afluência vezes tecnologia. Muitos dos pobres usam tão poucos recursos que não constariam da equação. Estes são os que têm mais crianças.

Enquanto há uma correlação fraca entre o aquecimento global e o crescimento populacional, há uma correlação forte entre o aquecimento global e riqueza. Tenho estado a observar algums super-iates, dado que vou necessitar de algo para entreter os ministros trabalhistas na a forma que estão acostumados. Primeiro vi os prospectos do RFF135 da Royal Falcon Fleet, mas quando vi que apenas queima 750 litros de combustível por hora5 percebi que não ia impressionar o Lord Mandelson. Posso até levantar meia sobrancelha em Brighton com o Overmarine Mangusta 105,

que suga 850 litros por hora6. Mas o barco que realmente me caivou é produzido pela Wally Yachts no Mónaco. O WallyPower 118 (que dá uma sensação de poder aos wallies) consome 3400 litros por hora quando viaja a 60 nós7. Isso é cerca de um litro por segundo. Outra forma de o ver é 31 litros por quilómetro8.

É claro que se quiser realmente causar uma impressão terei que colocar interiores de teca e mogno, levar algumas motas de água e um mini-submarino, levar os meus convidados até a marina por avião privado e helicóptero, oferecer-lher um sushi de atum azul e caviar de beluga e conduzir a besta tão rápido que destruirei metade da vida marítima no Mediterrâneo. Como dono de um destes iates farei mais estragos para a biosfera em dez minutos que a maioria dos africanos inflingem em toda a sua vida. Agora sim, estamos a queimar!

Alguém que conheço que anda com os muito ricos diz-me que no vale do Tamisa há pessoas que aquecem as suas piscinas ao ar livre para temperaturas de banho, durante todo o ano. Gostam de se deitar na piscina em noites de inverno, olhando para as estrelas. Os combustível custa-lhes 3000 libras por mês. Cem mil pessoas vivendo nesta zona destruiria mais rapidamente os nossos sistemas de suporte à vida que 10 biliões de pessoas vivendo como os camponeses africanos. Mas ao menos os super ricos têm boas maneiras e não se reproduzem muito, para que os homens velhos ricos que se queixam da reprodução humana os deixem em paz.

Em Maio o Sunday Times publicou um artigo com o título “Clube de bilionários em campanha para contrariar sobrepopulação”. Revelou que “alguns dos maiores bilionários da América reuniram-se secretamente” para decidir que boa causa deveriam apoiar. “Um consenso emergiu no sentido de que deveriam apoiar uma estratégia pela qual o crescimento populacional seria atacado como uma ameaça potencial ambiental, social e industrial.”9 Os utra-ricos, em outras palavras, decidiram que são os mais pobres que estão a destruir o planeta. Procura-se uma metáfora, mas é impossível de satirizar.

James Lovelock, como Sir David Attenborough e Jonathan Porritt, é patrono do Optimum Population Trust (OPT). É uma das dezenas de campanhas e associações cujo único propósito é desencorajar pessoas de se reproduzirem para salvar a biosfera. Mas não fui capaz de encontrar alguma campanha cujo único propósito seja o de enfrentar os impactos dos mais ricos.

Os obcessivos argumentarão que as pessoas que se reproduzem rapidamente hoje podem um dia tornar-se mais ricas. Mas enquanto que os super ricos capturam uma cada vez maior fatia e os recursos se começam a esgotar, isto, para os mais pobres, é uma promessa desencorajadora. Há fortes razões sociais para ajudar as pessoas a gerir a sua população mas fracas razões ambientais, excepto entre populações mais ricas.

O Optimum Population Trust glosa sobre o facto de que o mundo atravessa uma transição demográfica: as taxas de crescimento populacional estão a abrandar em quase todo o lado e o número de pessoas provavelmente, segundo um artigo na Nature, atingirá o seu pico neste século10, em cerca de 10 biliões11. A maioria do crescimento ocorrerá entre aqueles que consomem quase nada.

Mas ninguém antecipa uma transição no consumo. As pessoas reproduzem-se menos à medida que se tornam mais ricas mas não consomem menos; consomem mais. Como os hábitos dos super-ricos mostram, não há limites para a extravagância humana. O consumo pode crescer com o crescimento económico até que a biosfera seja destruída. Qualquer pessoa que compreenda isto e ainda considere que é a população, não o consumo, o grande problema está, nas palavras de Lovelock “a esconder-se da verdade”. É o pior tipo de paternalismo, culpar os pobres pelos excessos dos ricos.

Então onde estão os movimentos protestando contra a destruição dos sistemas de apoio à vida pelos podres de ricos? Onde está a acção directa conta super-iates e jactos privados? Onde está a Guerra de Classes quando precisamos dela?

É tempo de termos a coragem de dar um nome ao problema. Não é o sexo; é o dinheiro. Não são os pobres; são os ricos.


Referências:

1. Optimum Population Trust, 26th August 2009 Gaia Scientist to be OPT Patron. http://www.optimumpopulation.org/releases/opt.release26Aug09.htm

2. David Satterthwaite, September 2009. The implications of population growth and urbanization for climate change. Environment & Urbanization, Vol 21(2): 545–567. DOI: 10.1177/0956247809344361.

3. http://www.foei.org/en/publications/pdfs-members/economic-justice/gasnigeria.pdf

4. Por exemplo, Satterthwaite cita o estudo de Gerald Leach and Robin Mearns, 1989. Beyond the Woodfuel Crisis – People, Land and Trees in Africa, Earthscan Publications, London.

5. http://www.ybw.com/auto/newsdesk/20090802125307syb.html

6. http://www.jameslist.com/advert/5480

7. http://machinedesign.com/article/118-wallypower-a-high-end-power-boat-0616

8. 15 US gallons/nm = 56.775l/nm = 31 l/km.

9. John Harlow, 24th May 2009. Billionaire club in bid to curb overpopulation. The Sunday Times.

10. Wolfgang Lutz, Warren Sanderson and Sergei Scherbov, 20th January 2008. The coming acceleration of global population ageing. Nature. doi:10.1038/nature06516

11. UN Department of Economic and Social Affairs, 2005. World Population Prospects. The 2004 Revision. http://www.un.org/esa/population/publications/sixbillion/sixbilpart1.pdf


Publicado no Guardian, 29/09/09

Os textos de George Monbiot podem ser encontrados em www.monbiot.com

Traduzido por Ricardo Coelho

 
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O Ambiente na Encruzilhada. Por um futuro sustentável
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27 e 28/10/2009
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