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Os veículos eléctricos podem conduzir a mais emissões de dióxido de
carbono devido a lacunas na legislação europeia, segundo um estudo
divulgado hoje em Portugal pela organização ambientalista Quercus.
De
acordo com as conclusões deste trabalho, divulgado simultaneamente em
Portugal e outros países europeus, "bons resultados exigem opções
certas nos transportes e energia".
Apesar do importante papel que
estes veículos podem ter na redução da poluição, a legislação europeia
apresenta "lacunas que poderão conduzir a um aumento do uso de petróleo
e das emissões poluentes no sector dos transportes", revela o documento
com chancela da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E),
de que a Quercus faz parte.
Os autores do relatório afirmam que
os limites de emissão de CO2 para os veículos novos, acordados pela
União Europeia (UE) em Dezembro de 2008, incluem o conceito de
"supercréditos", o que permite aos fabricantes da indústria automóvel
venderem mais três veículos com elevado consumo de combustível (como os
jipes) por cada carro eléctrico vendido.
"A esta lacuna na
legislação europeia, acresce que os veículos eléctricos são
contabilizados como tendo emissões-zero, apesar de a electricidade que
utilizam poder ser proveniente de combustíveis fósseis altamente
carbónicos, como o carvão, ou discutíveis do ponto de vista do
desenvolvimento sustentável, como o nuclear", lê-se no texto divulgado
também em Bruxelas.
Os especialistas alertam que os fabricantes
que escolham actuar no mercado dos veículos eléctricos, de modo a
atingir os objectivos da UE, terão de fazer "um menor esforço" para
reduzir as emissões dos veículos convencionais, ou seja, na prática o
resultado será "o aumento das emissões de CO2 e do consumo de petróleo".
A
Quercus e a T&E apelam para a correcção desta situação e pedem
normas mais restritivas para a emissão de CO2 e eficiência energética
nos veículos.
O problema, dizem, tem sido a indústria e o poder
político confiarem em "tecnologias de sonho", em vez de estabelecerem
objectivos realistas para melhorar a eficiência nas emissões de CO2 e
no consumo de combustíveis.
"Hidrogénio, biocombustíveis e o
próprio interesse inicial nos veículos - todos falharam redundantemente
por diferentes razões, embora tenham em comum o facto de terem sido uma
distracção para o poder político, impedindo-o de se concentrar em
pressionar os fabricantes de veículos na melhoria da eficiência dos
veículos em todos os sentidos", criticam.
Fonte: Diário de Notícias
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