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As praias do concelho de Sintra podem vir a sofrer uma redução considerável da extensão do seus areais, ao passo que a subida da temperatura média aumentará o período de época balnear. A previsão consta das conclusões do Plano Estratégico para o Concelho de Sintra face às Alterações Climáticas.
O plano foi elaborado por uma equipa coordenada por Filipe Duarte
Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Ricardo
Aguiar, do actual Laboratório Nacional de Energia e Geologia. Os vários
especialistas já tinham participado no projecto SIAM - Alterações
Climáticas em Portugal, Cenários, Impactes e Medidas de Adaptação.
Os estudos incidiram sobre o clima, recursos hídricos, energia,
zonas costeiras, biodiversidade, floresta, agricultura, turismo e
saúde. Todavia, e de acordo com o que se pode ler na brochura com os
resultados da investigação, "Alterações Climáticas em Sintra: proteger
o futuro", o aumento do nível do mar não representará um risco
significativo para a costa sintrense, em termos de inundação e
galgamento.
No entanto, este fenómeno, conjugado com a agitação marítima,
contribuirá para uma redução dos areais das praias, estimada na Adraga
entre menos 9 a 24 por cento, em S. Julião de menos 22 a 37% e no
Magoito de menos 85 a 100%. Estes valores, para o horizonte de 2100,
terão menor expressão na Praia das Maças, onde a redução será apenas de
3 a 8%. Em contraste com menor espaço para estender a toalha, o clima
costeiro será "mais confortável", possibilitando a procura balnear na
Primavera e no Outono.
"O concelho de Sintra não é dos mais vulneráveis em termos das
alterações climáticas. Haverá impactes, mas um dos mais gravosos será a
gestão das florestas", salientou Filipe Duarte Santos, apontando a
prevenção dos riscos de fogos florestais como uma das principais
medidas a desenvolver pelas autoridades.
Plano energético
O investigador realça que o município possui uma área de elevada
carga populacional, de forte natureza pendular em termos de deslocações
entre residência e trabalho, mas destaca que a autarquia "pode fazer
mais no âmbito do plano energético para Sintra".
Filipe Duarte Santos adianta que o estudo, o primeiro do género
realizado no país para uma autarquia, "aborda os efeitos das alterações
climáticas, mas também as medidas de mitigação", que devem ser
desenvolvidas não só pelos organismos municipais, mas igualmente pelas
empresas, de forma a levar os cidadãos a modificarem os seus
comportamentos.
A luta contra as alterações climáticas assenta principalmente na
redução de emissões de gases com efeito de estufa, com utilização de
energias alternativas aos combustíveis fósseis, e no sequestro de
carbono, com o aumento de área florestada e da arborização urbana e
maior duração média do arvoredo.
Para o vereador do Ambiente na Câmara de Sintra, Marco Almeida, o
estudo "permite um melhor conhecimento do território em diversos
domínios, como as florestas, os recursos hídricos e a biodiversidade,
para que o município possa adoptar medidas em beneficio das
populações". O documento, que representou um investimento de 142 mil
euros, servirá para a revisão do Plano Director Municipal, à semelhança
de outros já realizados pela autarquia, como o plano verde, o plano
energético e o plano estratégico.
100%
De acordo com os especialistas, que fizeram a projecção até ao ano
2100, na pior das hipóteses a praia sintrense do Magoito poderá perder
todo o seu areal com o aumento do nível do mar
Fonte: Público
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