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Renato Soeiro 9 Jul 08
A Câmara de Paris decidiu remunicipalizar o abastecimento de
água. A reforma não resulta de uma mudança política no executivo. As recentes
eleições municipais foram ganhas por Bertrand Delanoë, o anterior presidente.
Na campanha eleitoral propôs a criação de um operador público único que
assumisse a responsabilidade por toda a cadeia da água, abrangendo a produção e
a distribuição.
Em 2009 expiram os contratos de concessão às empresas Suez e
Veolia, que não serão renovados, passando a distribuição, numa primeira fase,
para a sociedade de economia mista Águas de Paris, que gere o resto das
operações de captação, tratamento e transporte. Em 2011 termina, por sua vez, o
contrato desta empresa mista e então os seus 589 funcionários, juntamente com
os funcionários que tiver incorporado do sector da distribuição, passarão para
uma entidade gerida directamente pela Câmara.
O presidente justifica esta opção com a necessidade de
melhor gestão e controlo dos sistemas de abastecimento, conseguindo ganhos de
produtividade e garantindo um produto de alta qualidade com um custo controlado
e mais estável, uma resposta aos sucessivos aumentos de preço. Um relatório da
Assembleia Nacional concluiu que a água tem um preço 33% mais elevado quando os
serviços são concessionados a privados. Em Paris os distribuidores privados
obtiveram um lucro de 28%.
Não deixa de ser irónico constatar que a remunicipalização
se dá no país de onde são originárias as grandes multinacionais do sector da
água, que operam também entre nós. Portugal costuma copiar as modas com algum
atraso. Ainda estamos na fase das concessões aos privados, àqueles que na sua
terra as estão a perder. Paris sempre esteve um pouco à frente...
Renato Soeiro, crónica publicada em O Gaiense em
2008-07-04 e também no blogue renatosoeiro.blogspot.com
Fonte: Esquerda.net
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