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O Senado brasileiro aprovou quarta-feira (9) a Medida Provisória 422 que
aumenta a área da Amazónia Legal que pode ser concedida para
uso rural sem a necessidade de licitação. O limite passa de 500
para 1.500 hectares. A proposta,
que ainda depende de sanção presidencial, prevê que até 20% da área
concedida poderá ser desmatada. A votação foi marcada pela oposição acirrada da ex-ministra do Meio
Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC), que chegou a acusar o governo de legalizar a grilagem de terras na
Amazónia ao editar a medida provisória: “Essa medida vai significar um
processo de privatização de terras, de legalização de áreas que foram
ilegalmente griladas e com graves prejuízos para o Plano de Combate ao
Desmatamento da Amazónia”.
Quase dois meses depois de
deixar a pasta, ela acabou levando a proposta para votação nominal ao
apresentar uma emenda excluindo as áreas de florestas públicas da
possibilidade de ampliação da concessão. O relator e líder do governo,
Romero Jucá (PMDB-RR), não aceitou a proposta de emenda e alegou que a
medida somente regulariza uma situação já existente.
A discussão ganhou um tom de desabafo no momento em que Marina
enfatizou não ter participado de decisões que levaram à edição da
medida provisória. “Alguém poderia indagar se, no governo, eu
participei desse processo (de desmatamento). Eu não participei desse
processo. O Ministério do Meio Ambiente também não participou. Essa
medida é contrária a tudo o que fizemos nesses cinco anos e que levou o
desmatamento a cair 59%”, disse a ex-ministra.
Ao se contrapor a proposta, Marina enfatizou que nada garante que o
governo não tomará no futuro outra medida para legalizar àqueles que
ocuparem as áreas de florestas públicas. “Quem foi que disse que amanhã
ou depois não se fará uma nova medida para os que ocuparam ilegalmente
as terras públicas e as florestas públicas, as unidades de conservação,
as terras indígenas, as unidades de proteção integral e assim por
diante, não venham a ter novamente uma lei para regularizar os seus
processos de grilagem?”, questionou a ministra.
Representante de Roraima, onde existem várias ocupações, Jucá disse que
a senadora estava sendo injusta com ele e como povo de Roraima e do
Amapá. “A senadora Marina está sendo injusta com o povo de Roraima e o
povo do Amapá. O povo do meu estado não grila terras, é ocupante de
terras públicas e não de florestas públicas. O que estamos tratando
aqui é de regularização de terras públicas e não de florestas
públicas”, disse o senador.
(Envolverde/Agência Brasil)
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