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Um relatório confidencial do Banco Mundial obtido pelo jornal britânico Guardian diz que os agrocombustíveis contribuíram para um aumento em 75% do preço global dos alimentos. Esta é a análise mais detalhada da crise até ao momento, conduzida por um economista de renome internacional de um corpo financeiro global.
Esta figura contradiz com enfâse os argumentos do governo dos EUA de
que os os combustíveis com origem em planta contribuem em menos de 3%
para o aumento do preço dos alimentos. Vai colocar pressão nos governos
de Washington e em redor da Europa, os quais têm apostado neste produto
para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa e reduzir a
dependência ao petróleo importado.
Fontes seniores acreditam que o relatório, completado em Abril, não foi publicado para evitar o embaraço do presidente Bush.
A notícia vem numa altura crítica das negociações mundiais sobre a
política de biocombustíveis. Os líderes do G8 encontram-se na próxima
semana no Japão, onde vão discutir a crise alimentar e vão estar
sujeitos a um intenso lóbi de activistas a pedir uma moratória ao uso
de agrocombustíveis.
O aumento do preço dos alimentos colocaram
mais 100 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, estima o Banco
Mundial, e espalhou confrontos desde o Bangladesh ao Egipto.
O presidente Bush ligou os altos preços a uma maior procura da Índia
e China, mas o relatório do Banco Mundial refere que: "O rápido
crescimento económico dos países em desenvolvimento não levou a grandes
aumentos no consumo mundial de cereais e não foi um factor de maior
responsabilidade para os elevados aumentos de preços".
Mesmo as secas sucessivas na Austrália, calcula o relatório, tiveram
um impacto marginal. Por outro lado, argumenta que a política favorável
aos agrocombustíveis dos EUA e da UE foi de longe a que teve maior
impacto na oferta de alimentos e no seu preço.
"Sem o aumento nos agrocombustíveis, os stocks de trigo e milho não
teriam declinado consideravelmente e os aumentos de preços devido a
outros factores teriam sido moderados", refere o relatório. O cabaz de
preços alimentares examinados no estudo subiram 140% entre 2002 e
Fevereiro último. O relatório estima que mais altos preços da energia e
fertilizantes contaram para um aumento de apenas 15%, enquanto os
agrocombustíveis foram responsáveis por um salto de 75% neste período.
Argumenta que a produção de agrocombustíveis distorceu os mercados
alimentarem em 3 maneiras principais. Primeiro, deslocou os grãos dos
alimentos para o combustível, com mais de 1/3 do milho dos EUA a ser
usado para produzir etanol e cerca de metade dos óleos vegetais da UE e
ir para a produção de biodiesel. Em Segundo, os agricultores foram
encorajados a dedicar terra à produção de biocombustíveis. Em terceiro,
espalhou a especulação financeira, conduzindo o preço para cima.
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