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Câmaras mais dependentes do imobiliário na Grande Lisboa

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9 Nov 09 

As câmaras da Grande Lisboa dependem mais dos impostos directos e dos ligados ao imobiliário, liderados pelo concelho de Cascais. Esta é uma das conclusões de um estudo sobre a execução orçamental dos 51 municípios da região de Lisboa e Vale do Tejo. O estudo Câmaras da Região de Lisboa e Vale do Tejo-Análise Financeira da Execução Orçamental 2006/2007, realizado no âmbito da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, foi coordenado por Carlos Santos Sousa e Carla Gonçalves. No documento admite-se que uma avaliação de dois anos é "insuficiente para se projectar uma tendência de evolução", mas sublinha-se que o poder local tem sofrido "importantes mudanças", com um significativo aumento das verbas movimentadas, especialmente fruto das suas novas atribuições e competências.


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Tejo: Quercus lamenta transvase aprovado em Espanha

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6 Nov 09 

A associação ambientalista Quercus lamentou hoje que o Governo espanhol tenha aprovado mais um transvase do rio Tejo, alegando que a água que chega a Portugal é cada vez de menor qualidade e quantidade.


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23-Jun-2008

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O preço do barril de petróleo ultrapassou já os 135 dólares. Mesmo tendo em conta a inflação, esta valor ultrapassa o do pico das crises petrolíferas dos anos 70. Está na altura de fazer uma pausa e reflectir sobre a sociedade que construímos.

História esquecida

Em 17 de Outubro de 1973, a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (compreendendo os membros árabes da OPEP mais Egipto e Síria) retaliaram contra o apoio de países ocidentais e do Japão a Israel na guerra de Yom Kippur decretando um embargo à exportação de petróleo. Ao mesmo tempo, a OPEP reduziu a sua produção, depois de as negociações com as sete grandes petrolíferas terem falhado. Como resultado, o preço do barril de petróleo disparou.

Seguiu-se em 1979 uma nova crise petrolífera, desta vez causada pela Revolução Iraniana, que depôs o Xá. A produção de petróleo do Irão foi de novo afectada, assim como a do Iraque, pela guerra Irão-Iraque de 1980. Apesar dos esforços da parte da Arábia Saudita e de outros países da OPEP, o preço do barril de petróleo aumentou de novo.

Muitos estudos económicos estimam a elasticidade da procura da gasolina e do gasóleo em valores muito baixos. Por outras palavras, será necessário um grande aumento nos preços dos combustíveis para que o consumo diminua de forma significativa. Daí que, apesar dos recentes aumentos nos preços dos combustíveis, o consumo não diminua muito.

Mas houve de facto um esforço no sentido de reduzir o consumo de gasolina dos automóveis nos anos 70, chegando-se mesmo ao ponto de suspender a produção de veículos mais gastadores. O que impulsionou esta mudança? Provavelmente, mais que o aumento do preço, a quebra na oferta.

As crises dos anos 70 não tiveram impactos apenas nos preços, mas também afectaram a oferta. As estações de serviço racionavam clientes e era por vezes difícil encontrar um sítio para abastecer o carro. O facto de se tornar óbvio para todos que o petróleo era um recurso escasso induziu assim esforços no sentido da conservação de energia, a tal ponto que os anos 80 foram marcados por um excesso de oferta nos mercados internacionais (oil glut).

As consequências do aumento do preço do petróleo

Tem havido um intenso debate sobre os motivos do aumento exponencial do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais1. Não entrarei nesse debate, embora me pareça algo fútil a tentativa de demonstrar que não existe um decréscimo na oferta de petróleo barato. É no preço, portanto, que reside o problema, e não na quantidade.

Infelizmente, teremos petróleo para abastecer o nosso estilo de vida viciado nos combustíveis fósseis durante muito tempo, talvez séculos. A questão que se coloca, então, é a de saber qual o impacto que terá nas sociedades industrializadas um aumento persistente do preço do petróleo.

Muitos ambientalistas vêem com bons olhos este aumento, na medida em que poderá encorajar medidas de conservação de energia. Eu também pensava desta forma, embora ache que devemos encontrar uma solução equitativa para apoiar alguns grupos desfavorecidos (pescadores e agricultores) e alguns sectores estratégicos (transporte colectivo de passageiros) na dura transição para uma sociedade pós-petróleo. Mas as notícias relativas à exploração das areias betuminosas fizeram-me mudar de opinião.

As areias betuminosas consistem numa mistura de areia ou argila, água e betume, um tipo de petróleo muito denso e viscoso. Só no Canadá, estima-se que 170 biliões de barris de petróleo podem ser extraídos das areias betuminosas de Athabasca, uma reserva apenas superada pela Arábia Saudita. As areias betuminosas de Orinoco, na Venezuela, terão um potencial ainda maior para a exploração de petróleo.

A extracção do petróleo das areias betuminosas é muito dispendiosa e extremamente poluente. Enormes quantidades de água e gás natural são utilizadas para retirar as areias e filtrar o betume, transformando uma zona natural virgem num lamaçal negro. A quantidade de gases com efeito de estufa libertados no processo é de tal forma brutal que a exploração das areias betuminosas no Canadá já foi intitulada pela Greenpeace como o maior crime ambiental da história.

O que está a incentivar o investimento em formas não convencionais de petróleo é precisamente o aumento do seu preço. Recentemente, Adam Brandt and Alex Farrell, investigadores da Universidade da Califórnia, afirmaram que o aumento do preço do petróleo não nos conduzirá a um maior investimento em formas de energia limpas, mas antes agravará a degradação ambiental2.

Esta conclusão pode ser compreendida através do conceito de lock-in, ou seja, aprisionamento tecnológico3. As sociedades industrializadas encontram-se fortemente dependentes do petróleo e não é de esperar que a situação mude sem que exista um forte investimento dos governos nesse sentido. Daqui decorre que será menos custoso para uma empresa ou um indivíduo continuar a utilizar combustíveis derivados do petróleo, mesmo que o seu preço aumente significativamente.

Esta espécie de toxicodependência colectiva cria incentivos para que as petrolíferas explorem fontes de petróleo alternativas, como restos de petróleo em poços abandonados, areias betuminosas e xisto petrolífero. É também possível que sejam exploradas formas de liquefazer carvão (algo que se fez em grande escala na II Guerra Mundial) ou de transformar gás natural num combustível sintético líquido. Recorrendo a todas estas fontes de combustíveis, podemos ter uma reserva 18 vezes maior que a produção total de petróleo até à actualidade. Mas estes são combustíveis caros e extremamente poluentes.

Soluções para o futuro

De pouco nos vale conjecturar em relação ao impacto que a especulação ou a carga fiscal têm sobre o preço dos combustíveis. O petróleo caro entrou em cena e não vai sair nunca. Temos então duas alternativas. A primeira é continuar a pensar no domínio do paradigma de progresso que levou o planeta em que vivemos ao ponto de ruptura, investindo em crimes ambientais como agro-combustíveis ou areias betuminosas. A segunda é pensar de forma diferente, investindo em transportes colectivos, em modos de transporte menos poluentes (como o carro eléctrico), em energias renováveis e na produção local como forma de reduzir as necessidades de transporte.

Como dizia Albert Einstein: “nenhum problema novo pode ser resolvido pelo mesmo raciocínio velho que o criou”.

 

1 - Ver Dossier Preço do Petróleo, no Esquerda.

2 - UC Energy Notes Newsletter, June 2008.

3 - Um exemplo típico é o do teclado QWERTY. Este teclado foi inventado para que fosse mais difícil dactilografar (em inglês, claro), de forma a evitar avarias nas máquinas de escrever. Hoje não há qualquer motivo para preservar este teclado, nem é justificável que um português use o mesmo teclado que um norte-americano, mas ficamos de tal forma aprisionados nesta tecnologia obsoleta que é difícil para uma empresa vender um teclado que não seja QWERTY.

 
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Agenda Activista
O Ambiente na Encruzilhada. Por um futuro sustentável
Conferência Gulbenkian 2009

 

27 e 28/10/2009
09h00 às 18h00
Aud. 2
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